sábado, 29 de novembro de 2025

A MALANDRINHA

 


 

A ratinha Fifi, com seus pelos marrons, seus olhos verdes e narizinho arrebitado, era uma verdadeira malandrinha.

Todos os demais ratos da redondeza queriam brincar e ser amigos da Fifi, mas ela os esnobava, só aceitava quem desejasse ser amigos de verdade.

Certo dia, sentia fome, se achando refinada, procurou a casa mais rica, ao entrar na cozinha, viu um enorme pedaço de queijo, escalando a perna da cadeira pulou na mesa, comeu até se fartar, quando se preparava para tirar uma soneca, um enorme gato apareceu, ao ver a malandrinha correu para avisar a velha empregada que apareceu com uma vassoura pronta para acertar a pobre da ratinha. O rato Beto, entrou no momento, passou correndo para atrair a atenção da velha, assim a malandrinha poderia fugir, o gato, muito do fofoqueiro, pensou em avisar da sua presença, o rato mais que depressa deu-lhe uma mordida na perna do gato que gritava de dor, pulou a janela com miados fortes, a velha para socorrer seu amigo, soltou a vassoura, enquanto isso, os dois ratinhos fugiram em segurança.

- Venha! Vamos subir na torre da igreja, lá poderemos dormir sossegados. Disse o rato Beto tentando ganhar a amizade da malandrinha.

Naquele momento de sufoco, a malandrinha teve certeza do quanto uma amizade é valiosa. Tornaram-se amigos inseparáveis, já descansados, resolveram morar juntos, assim um cuidava do outro. Escolheram uma casa abandonada nas redondezas, com certeza seria o lar ideal para viverem tranquilos.

No domingo, foram ao parque, quando passeavam entre os brinquedos, viram um vendedor de balões. Correram e compraram dois, amarraram nas patinhas, os balões começaram a subir, davam solavancos, com o vento muito forte, os dois foram levados para o alto.

Fifi gritava de medo, Beto querendo demonstrar segurança segurou a patinha da amiga, os dois foram subindo, subindo, de repente, ficaram presos nos galhos de uma grande árvore. O pior foi quando um exame de abelhas apavoradas avançou sobre os dois.

Coitados! Foram tantas ferroadas, ficaram cheios de pontinhos vermelhos.

Por um milagre, os balões se soltaram e continuavam a subir, a terra se afastava cada vez mais, as abelhas sumiram e os dois sabe-se lá onde foram parar.

 

Irá Rodrigues

 

 

 

 

 

JUCA E SUAS AVENTURAS

 


 

Construindo um barquinho com pedaços de bambu, o menino Juca planejava entrar no riacho, navegar e chegar até o rio.

O barquinho estava pronto, colocou mantimentos numa velha sacola de palha e partiu bem cedinho antes os avós acordassem e impedisse de realizar a sua aventura tão sonhada.

E vai Juca, remava riachinho abaixo, meio-dia ele entra no grande rio calmo, o Sol muito forte, com toda a sua animação nem percebeu que o céu escurecia, uma forte chuva se aproximava, no meio da tarde as nuvens se rasgaram, a chuva engolia a tarde, continuando até o anoitecer. Parecia um dilúvio, os pingos fortes batiam no barquinho fazendo com que ele se balançasse como se fosse virar.

O rio engrossava, a correnteza ganhava força. Como se fosse conhecido das águas ele disse:

- Nossa! Como esse rio é comprido! E seguia pedaço por pedaço sempre pela margem, o medo de ser arrastado pela correnteza era maior do que as suas aventuras. Logo a chuva se acalmou, o céu ficou estrelado, Juca encostou seu barquinho nuns ramos, logo adormeceu com os braços cansados de tanto remar.

Despertou com o Sol clareando seu rosto, era hora de continuar, o rio agora estava calmo, recomeçava a sua viagem, dessa vez, podia contemplar as fazendas, o gado pastando na vegetação verde, plantações de cana, homens e mulheres trabalhando nos campos. O rio adentrou as matas, passou ao pé de uma montanha onde pode observar as encanações levando água para as lavouras.

Agora o rio parecia um regatinho, logo adiante foi se alargando, ganhando corpo e força. Uma rajada forte de vento, agitou as águas, empurrou o barquinho para a margem, no meio da vegetação ficou encalhado.

Juca olhou triste, seu barquinho não poderia continuar.

O que lhe restava: Ficar observando as águas rolarem correnteza abaixo. Graças a Deus o barquinho estava preso. Ali terminava aquele sonho, mas outros sonhos iriam sonhar.

 

Irá Rodrigues

 

 

 

O COFRINHO SOLITÁRIO

 


 

Esquecido numa casa abandonada, lamentava-se um cofrinho, muito tristinho vivendo num canto se lamentando.

As moedinhas queriam sair, mas como, se o cofrinho nada poderia fazer, alguém o abandonou naquela velha casa, nem sabia contar os dias, as horas e o tempo. Lamentavam-se.

- Tantas moedinhas circulando de bolsa em bolsa, de gaveta a gaveta nas lojas luxuosas, numa barraquinha de beira de estrada, do menino que vende geladinho. Oh! Vida essa nossa, vivendo presa nesse cofrinho que nunca sai do lugar. Tristes, sofredoras, presas nessa solidão, ...ajudem-nos! Assim reclamavam as moedinhas inconformadas.

- Eu queria cair de algum bolso, ser achada por uma criança, sentir o brilho em seus olhinhos gritando:

-Olhem! Olhem! Achei uma moedinha, vou colocar em meu cofrinho. -Não! Cofrinho nunca mais, melhor comprar um picolé ou um pirulito. Pensava alto a moedinha de 50 centavos se lamentando.

- Oras! Oras!... Disse a outra moedinha, lá vem você falar de cofrinho, nem me fale mais nesse nome. Sinto até alergia. – Oh vida! – Se um dia eu ficar livre, nunca mais quero ver um cofrinho em minha frente.

- Parem de se mexerem aí dentro, estou ficando cansado de tantas lamentações, pior, eu sou obrigado a proteger vocês. Explodiu o cofrinho inconformado.

Por um tempinho as moedinhas silenciaram.

- Acho que o cofrinho está mesmo triste, ele precisa de animação. Disse uma moedinha de 10 centavos.

- Verdade, estamos prisioneiras, nada podemos fazer até que alguém encontre o cofrinho. Coitado! Precisamos inventar alguma coisa para deixar animado. Concluiu a moedinha de 25 centavos.

Assim, todas as moedinhas começaram a pular batendo nas paredes do cofrinho.

- O que acham que estão fazendo? Estou ficando tonto, parem com esse sacolejo. Parem!  Gritou o cofrinho irritado.

- Já sei, vamos dar um passeio, gritou a moedinha de 10 centavos, a menorzinha de todas.

Os olhos do cofrinho brilharam, mas logo se desanimou entristecido. Suspirando disse:

-Não precisam me animar, estamos prisioneiros abandonados dentro de um quarto escuro, apenas as paredes e uma porta aberta, muito longe de alcançar. Disse o cofrinho.

- Só sairemos daqui se um dia alguns moleques travessos, desses bem curiosos resolverem entrar nessa casa esquecida pelo tempo.

- Já perdemos o tempo que estamos aqui nessa solidão. Suspirou o cofrinho.

- Nem tudo está perdido, vamos sacudir aqui dentro, o cofrinho pode tombar e rola, quem sabe alcançamos a porta, sairemos rolando por aí, sentir a luz do Sol e ser encontradas por uma criança. Concluíram as moedinhas.

- Sabe, eu deveria até ficar feliz com as ideias malucas de vocês, mas nada que tudo que inventarem dará certo. Exclamou o cofrinho na maior tristeza. Suspirou.

As moedinhas inconformadas começaram a pular, pular, o cofrinho reclamava, reclamava, as moedinhas tentavam, tentavam, depois de tantos sacolejos o cofrinho rolou e saiu rebolando, as moedinhas gritavam felizes.

Enfim, estavam se movimentando. A alegria era tanta que nem perceberam que o cofrinho também estava muito feliz e sorridente.

Pelo quarto rolava, rolava, naquele sacolejo uma das moedinhas foi jogada longe. Tontinha ela rodou, rodou até parar do outro lado da porta.

- Mas por onde anda meu amigo cofrinho e minhas amigas moedinhas? Preciso da ajuda das crianças, pensou a moedinha.

A moedinha rolava e não encontrava o cofrinho, aonde foram, eu prefiro ficar prisioneira com minha amiguinha, estou sozinha, com frio e com muito medo.

Você aí, levante a bunda da cadeira, procure meu amigo cofrinho, rola a moedinha até os pés de uma menininha que brincava por perto. A criança parece que entendeu, apanhou a moedinha, prendeu entre os dedos, a moedinha se torcia como se precisasse dizer alguma coisa.

A moedinha se soltou, foi rolando, a criança corria para pegá-la – Por favor, procure o cofrinho e minhas irmãzinhas que estão prisioneiras.

Qual o melhor final para essa história?

Irá Rodrigues

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

FESTA NO GALINHEIRO


Tudo estava organizado

O galo vigiava do poleiro

Enquanto as galinhas trabalhavam

A raposa chegava no galinheiro.

 Começou uma confusão

Os pintinhos achando graça

Corria de lá pra cá

Na maior diversão.

 

Sem saber que o perigo

Estava se aproximando

Nem ligavam o desespero

Das mamães gritando.

 

O urubu que observava

Gritou: Presta atenção

A raposa é traiçoeira

Tem segunda intenção.

 

Procurem um esconderijo

Corram sem demora

Vamos ficar vigiando

Até a raposa ir embora.

 

Vieram outros urubus

Começaram a atacar

A raposa fugiu correndo

A paz voltou a reinar.

 

Autoria- Irá Rodrigues

 


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A REVOLTA DO TIMTIM

  01 O gato chegou correndo Invadiu logo a cidade Nem parava para ouvir Saia em velocidade Queria ouvir do cão Toda a sua verd...