sábado, 29 de novembro de 2025

O COFRINHO SOLITÁRIO

 


 

Esquecido numa casa abandonada, lamentava-se um cofrinho, muito tristinho vivendo num canto se lamentando.

As moedinhas queriam sair, mas como, se o cofrinho nada poderia fazer, alguém o abandonou naquela velha casa, nem sabia contar os dias, as horas e o tempo. Lamentavam-se.

- Tantas moedinhas circulando de bolsa em bolsa, de gaveta a gaveta nas lojas luxuosas, numa barraquinha de beira de estrada, do menino que vende geladinho. Oh! Vida essa nossa, vivendo presa nesse cofrinho que nunca sai do lugar. Tristes, sofredoras, presas nessa solidão, ...ajudem-nos! Assim reclamavam as moedinhas inconformadas.

- Eu queria cair de algum bolso, ser achada por uma criança, sentir o brilho em seus olhinhos gritando:

-Olhem! Olhem! Achei uma moedinha, vou colocar em meu cofrinho. -Não! Cofrinho nunca mais, melhor comprar um picolé ou um pirulito. Pensava alto a moedinha de 50 centavos se lamentando.

- Oras! Oras!... Disse a outra moedinha, lá vem você falar de cofrinho, nem me fale mais nesse nome. Sinto até alergia. – Oh vida! – Se um dia eu ficar livre, nunca mais quero ver um cofrinho em minha frente.

- Parem de se mexerem aí dentro, estou ficando cansado de tantas lamentações, pior, eu sou obrigado a proteger vocês. Explodiu o cofrinho inconformado.

Por um tempinho as moedinhas silenciaram.

- Acho que o cofrinho está mesmo triste, ele precisa de animação. Disse uma moedinha de 10 centavos.

- Verdade, estamos prisioneiras, nada podemos fazer até que alguém encontre o cofrinho. Coitado! Precisamos inventar alguma coisa para deixar animado. Concluiu a moedinha de 25 centavos.

Assim, todas as moedinhas começaram a pular batendo nas paredes do cofrinho.

- O que acham que estão fazendo? Estou ficando tonto, parem com esse sacolejo. Parem!  Gritou o cofrinho irritado.

- Já sei, vamos dar um passeio, gritou a moedinha de 10 centavos, a menorzinha de todas.

Os olhos do cofrinho brilharam, mas logo se desanimou entristecido. Suspirando disse:

-Não precisam me animar, estamos prisioneiros abandonados dentro de um quarto escuro, apenas as paredes e uma porta aberta, muito longe de alcançar. Disse o cofrinho.

- Só sairemos daqui se um dia alguns moleques travessos, desses bem curiosos resolverem entrar nessa casa esquecida pelo tempo.

- Já perdemos o tempo que estamos aqui nessa solidão. Suspirou o cofrinho.

- Nem tudo está perdido, vamos sacudir aqui dentro, o cofrinho pode tombar e rola, quem sabe alcançamos a porta, sairemos rolando por aí, sentir a luz do Sol e ser encontradas por uma criança. Concluíram as moedinhas.

- Sabe, eu deveria até ficar feliz com as ideias malucas de vocês, mas nada que tudo que inventarem dará certo. Exclamou o cofrinho na maior tristeza. Suspirou.

As moedinhas inconformadas começaram a pular, pular, o cofrinho reclamava, reclamava, as moedinhas tentavam, tentavam, depois de tantos sacolejos o cofrinho rolou e saiu rebolando, as moedinhas gritavam felizes.

Enfim, estavam se movimentando. A alegria era tanta que nem perceberam que o cofrinho também estava muito feliz e sorridente.

Pelo quarto rolava, rolava, naquele sacolejo uma das moedinhas foi jogada longe. Tontinha ela rodou, rodou até parar do outro lado da porta.

- Mas por onde anda meu amigo cofrinho e minhas amigas moedinhas? Preciso da ajuda das crianças, pensou a moedinha.

A moedinha rolava e não encontrava o cofrinho, aonde foram, eu prefiro ficar prisioneira com minha amiguinha, estou sozinha, com frio e com muito medo.

Você aí, levante a bunda da cadeira, procure meu amigo cofrinho, rola a moedinha até os pés de uma menininha que brincava por perto. A criança parece que entendeu, apanhou a moedinha, prendeu entre os dedos, a moedinha se torcia como se precisasse dizer alguma coisa.

A moedinha se soltou, foi rolando, a criança corria para pegá-la – Por favor, procure o cofrinho e minhas irmãzinhas que estão prisioneiras.

Qual o melhor final para essa história?

Irá Rodrigues

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